meu lado baiano

Por mais gaúcha que eu seja, toda vez que vou embora de Salvador sinto que deixei lá um pedacinho de mim. Tem alguma coisa naquele lugar que mexe comigo. Alguma coisa que dói toda vez que eu entro no avião e volto pra casa.
Tem tudo aquilo que faz parte do cartão postal da cidade: praia, carnaval, Olodum, Pelourinho, axé, Ivete Sangalo... Mas isso não é pra mim não. Essa não é a Bahia que eu conheço. Essa é a Bahia que eu deixo para os turistas. Mesmo não sendo verdade, gosto de pensar que não sou uma estranha para eles, que sou metade baiana. Acho que tenho esse direito, já que a primeira vez que fui a Salvador eu não era nem nascida.
Acho que o que mais me agrada em Salvador é o calor que não é quente. Incrível como pode fazer 40 graus e mesmo assim aquela brisa gostosa impede que o calor seja desagradável. E ainda rola um friozinho no fim da tarde, um friozinho gostoso que não é gelado.
Tem os baianos também. Eles são alegres, uma alegria que eu não vejo aqui no sul. Tenho a impressão que eles acordam cantando. Que eles dormem com um sorriso no rosto. Que eles vivem com paixão. E é um tipo de alegria que contagia.
Outra coisa são as comidas típicas. Uma vez ouvi que quando uma pessoa vai morar em outro lugar, rapidamente ela perde um pouco da língua e dos costumes de seu país de origem. Mas a comida é a última coisa que a pessoa perde. A famosa saudade do feijão com arroz, se você vai morar em outro país. Ou até a comida da mãe, se você vai morar sozinho.
E aí tem eu perdida aí no meio, que consigo sentir a maior saudade da comida baiana, como se fosse aquilo lá que devesse estar no meu prato todos os dias, não tendo sequer nascido ou morado lá. Que os gaúchos não me ouçam, mas troco fácil meu churrasco de domingo por uma moqueca de camarão.
Sei lá, talvez seja por causa de tudo isso que eu tenha esse lado baiano. Ou talvez isso seja genético, já que minha avó, de tão apaixonada por baianos, acabou casando com um (e é por isso que vou tanto lá). Ou talvez sejam os acarajés que minha mãe comeu quando eu ainda estava na barriga dela.
Só sei que levo no meu coração um pedaço de Salvador.
E Salvador leva com ela um pedaço do meu coração.

Comentários

  1. Menina, lindo esse teu relato de amor e identificação por Salvador. Sou de Fortaleza e tenho muita curiosidade em conhecer a Bahia, realmente é um lugar onde as pessoas parecem viver de bem com a vida. Amei o teu texto! Um abraço. ;)

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  2. Menina, lindo esse teu relato de amor e identificação por Salvador. Sou de Fortaleza e tenho muita curiosidade em conhecer a Bahia, realmente é um lugar onde as pessoas parecem viver de bem com a vida. Amei o teu texto! Um abraço. ;)

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  3. que lindo. realmente, quem nunca foi pra lá têm como conceito os cartões postais. não gosto de axé, carnaval, bronzeado de praia e tudo mais... acho que é por isso que eu não me interesso pela Bahia, por pensar que lá só tem isso. acho que estava errado, né?

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  4. Que linda declaração de amor!
    Nunca estive em Salvador,mas esse teu post deixa com vontade de conhecer uma Bahia que não é para turistas.

    Deve ser muito bom ir para o Chile de carro, apesar de cansativo acho que vale pelas paisagens. Espero que tu consiga fazer essa viagem.. Eu quero fazer outro mochilão pra conhecer o sul do Chile, é um país que me encanta muito e quero conhecer de norte a sul :)

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  5. Confesso pra ti que eu sempre tive um certo preconceito com a Bahia, apesar de eu nunca ter ido pra lá.
    Mas talvez eu tenha apenas ideias esteriotipadas, de coisas que se vê na TV mesmo. Eu não vivi lá. Eu não vi a Bahia além da visão de turistas e da mídia. Mas esse post abriu um pouco meus olhos para a vida em uma cidade diferente de Porto Alegre. E fiquei com vontade de visitar a Bahia - seus pontos turísticos e pontos que só os baianos conhecem :'D

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  6. Acho que a saudade da comida foi a primeira coisa que eu perdi. :/ Mas enfim, eu nunca comi acarajé... Quem sabe?

    Também sou da turma que não tinha interesse na Bahia por conta dos clichês de axé, micareta, carnaval, praia, enfim... quase tudo o que não me interessa em destinações turísticas. Falavam muito da sujeira, também, mas não sei se é verdade e, pra ser sincera, não sou fresca com isso. Mas de uns anos pra cá eu vinha sentindo vontade de visitar. Até planejei esse ano mas não rolou, quem sabe em 2013? E aí quem sabe você, turista insider de Salvador, me descola um guia lindo como o de NY (que me proporcionou aquela foto de Manhattan vista de Brooklyn Heights, que eu não teria feito otherwise).

    E qualquer lugar com BRISA me ganha.

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  7. Infelizmente, Lolla (ainda que isso seja beeeem atrasado) não sei a qual brisa ela se refere. cara,aqui faz um calor, em qqr epoca do ano, que vc TETESTARIA!!não venta tanto, a menos que vc fique numa regiao bem alta ou perto do mar...e olhe lá!qdo chove é pior, porque fica ainda mais bafado.
    e quanto à sujeira...bem, nem em bairro de rico e turistico vc vai encontrar limpeza- o que é muito triste pois cartoes-postais da cidade ficam degradados por causa de mal comportamento dos cidadaos e alguns visitantes.
    enfim, moro aqui e por isso vejo essas coisas todo dia. se vc sofreu com o calor na Italia, vai sofrer com o calor aqui tbm =)
    mas n deixe de vir, pode ser que APESAR de tdo vc goste muito.

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  8. e qto aos baianos e a alegria que é propaganda pelos turistas, infelizmente, tenho que dizer algo que as pessoas nao veem em guias: se vc é branca e tem um sotaque do sul/sudeste OU é estrangeiro, em geral, eles automaticamente imaginam que vc é rico e abre os dentes pra vc (principalmente se veem uma oportunidade de tirar vantagem- a simpatia exagerada e incomum deixa as pessoas aereas e não percebem pequenos golpes no dia-dia). mas entre os proprios baianos e com turistas que não aparentam riqueza, não são educados não. nada de bom dia quando alguém diz bom dia, nada de sorriso, nada de boa vontade para explicar as coisas.
    não passo por isso, mas o que vejo de gente passando não tá no gibi.
    "são alegres, uma alegria que eu não vejo aqui no sul. Tenho a impressão que eles acordam cantando. Que eles dormem com um sorriso no rosto. Que eles vivem com paixão." sem querer ser chata, mas esses são 1% da população de salvador. vc talvez tenha tido sorte, ou talvez seu meio familiar é bacana e as pessoas são alegres mesmo. porque(e isso não sou eu quem diz apenas) o soteropolitano reclama de tudo (e não faz nada pra mudar), ficam satisfeitos com qualquer coisa relacionada a putaria e cerveja e sãao tirados a velente. na maximo são conformados- passam a vida reclamado de si, do vizinho do governo, mas são (e acredite, me doe dizer isso) preguiçosos mesmo, como diz o esteriótipo. ja trabalhei com pessoas do quase todos os estados brasileiros e os baianos de salvador (do interior até que nem tanto) são preguiçosos e queimam trabalho a torto e a direito por conta de festas e bebedeiras- ou vao trabalhas, no meio da semana, alcoolizados.
    é claro que isso é um apanhado geral da população; claro que existem exceções, as estas não invalidam a regra- infelizmente.

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  9. Sam Buairide: sujeira, simpatia exacerbada comturistas com aparência rica, pequenos golpes no dia-dia: você acabou de descrever 99% das cidades turísticas brasileiras. falta de boa vontade, conformismo, putaria, cerveja, preguiça: você acabou de descrever 99% da população brasileira. acho que ninguém vai a Salvador esperando que seja um mundo mágico alheio a todo o resto do Brasil. quanto ao calor, mea culpa, sempre fico em um lugar alto e perto do mar, mas garanto que, entre Porto Alegre e Salvador, ambos com a mesma temperatura, passo muito mais calor aqui. acho também que ninguém vai a Salvador esperando não passar calor, porque né, nordeste. mas vai saber... talvez eu esteja errada e vc esteja certa. provavelmente é tudo uma questão de opinião: cada um tem a sua :)

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  10. Acho que é mais uma questão de opnião. Por exemplo, o calor, tem quem a-do-re Rio 40 graus, tem quem deteste. Enfim...Só passando pra desejar um feliz ano novo (atrasadíssímo) =)

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