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Zaragoza ou finalmente um post sobre a viagem para a espanha

Em fevereiro fiz uma roadtrip com minha família pela Espanha e ficou marcada no coração. A gente saiu de Madri e foi até San Sebastian, no País Basco, e depois voltamos - quase 1000 quilômetros de muito frio, paisagens lindas e cidades mais ainda :)
Zaragoza, além de ser um baita nome de cidade (idade mental: 12), foi um lugar onde passamos um dia e uma noite.
Tem uma coisa que eu acho maravilhosa da Espanha (da Europa toda  na verdade) é que você tá ali de boa sei lá fazendo compras, daí vira uma esquina e XABLAU dá de cara com uma Catedral que foi construída em 1297 (a Catedral-Basílica de Nossa Senhora de Pilar no fundo da foto à direita). Isso é especialmente legal em viagens de carro, quando você vê uma igrejinha de pedra ao longe, sozinha em cima de um morro e vai olhar e é tipo a única igreja que ainda existe no estilo neo gótico rococó romântico renascentista minimalista escandinavo e também onde foi batizado o papa Clemente XXVI. 
E a bonita aqui que foi pra Europa fugir do carnaval mas o carnaval me seguiu até lá, uma tristeza. E aí que a cidade inteira estava em festa, cheia de desfiles e ruas fechadas. Adorável, o carnaval tinha uma vibe mais medieval (?) do que Sílvio Santos (?), mas eu estava dormindo porque é isso que eu faço de melhor. Deu pra tirar uma foto de resquícios no Carnaval no entanto (tem confetes no chão, não é só eu mostrando minha bota nova eu juro).
Esse grafite em Zaragoza, na Espanha, me lembrou esse outro grafite de Porto, em Portugal, o que me fez sentir a pessoa mais viajada do mundo. Tipo aquelas pessoas que tem lugares preferidos em outros lugares, acho chiquérrimo, "meu restaurante favorito em Nova York é TAL LUGAR", significa que você já foi tanto pra Nova York que já tem um restaurante favorito lá, invejo. 
Só um café fotogênico.

Zaragoza também é conhecida pelo circuito de tapas e bons drinks, descrição que se encaixaria em prováveis todas as cidades da Espanha hahaha a gente foi em vários bares, desde uns bens tradicionais até uns mega hipsters, tipo esse da foto que todos os tapas vinham em latinhas de sardinha.

bruxaria da indústria cosmética

Comprei na Espanha essas máscaras pra fazer dias de princesa hihihi. Não acho que sejam a melhor coisa do mundo e que vai influenciar em grandes coisas, mas a sensação é sempre boa, nem que seja só de estar se cuidando. A única que já usei foi essa máscara preta e posso atestar que é a morte, amigos. A globo não mostra que pra tirar esse troço do rosto parece que a pele está vindo junto.
Cês conhecem China Balm? É tipo uma pomada que tem várias coisas naturais diferentes dentro, tipo cânfora e cravo. Eu acho que é a cura pra tudo hahaha as pessoas vem me dizer que estão com, sei lá, rinite, e eu taco china balm nelas. Eu gosto de passar antes de dormir entre as sobrancelhas e na testa - duas zonas de tensão pra mim. Acho muito relaxante. Mas a coisa mais útil dela é que é a cura pra um problema que eu tenho bastante - dor de cabeça. Veja bem, eu não tenho enxaqueca nem nada, mas volta e meia me vem aquela dorzinha que às vezes fica o dia todo - é só passar um pouquinho do china balm na testa e parece que o troço suga a dor embora. Tá até parecendo publi-post mas né, fica a dica. 
O moderninho azul ali é da loja Tiger e é o China Balm Nutella. O resto é raiz hihihi. 
Eu não resisto à embalagens fofas - o tomate e o abacaxi são máscara pro rosto, o cactus é um creme e o pêssego é um creme para área dos olhos, todos da marca Fancy Handy, que eu mal conheço mas já considero pacas.
Também comprei esses sabonetes em gel na Primark - ali diz três euros mas estava em promoção dois por um. O negócio é bem gel mesmo e quando você passa na pele dá um geladinho e começa a fazer espuma - eu sempre fico maravilhada com esse tipo de bruxaria da indústria cosmética. Eu tinha uma espuma pro rosto que era um líquido que parecia água, assim que você passava no rosto já começava a criar espuma e não precisava nem esfregar BIZARRO.

uma casa florida ou seu dinheiro de volta

Essas xícaras já apareceram aqui antes mas eu não consigo não postar de novo. Elas são lindas demais :)
O meu fradinho franciscano já abrigou várias plantas diferentes mas todas acabam morrendo. Comprei essa fitônia na esperança de que sobreviva, dizem que é boa para ambientes fechados. Ela é conhecida como planta mosaico e tem os veios de um rosa quase neon. Linda, linda.
A corujinha é quase um berçário de suculentas - quando elas começam a ficar muito grandes pro tamanho da xícara, eu transplanto pro terrário e começo uma nova :) suculentas são as plantas mais fáceis de reproduzir, é só ter paciência. Eu só pego os "pedaços" que caem dela (as folhas) e coloco em cima de uma terra nova. Dou um spray de água de vez em nunca e de repente tem uma plantinha. Demora talvez um mês. Essa foi mais uma dica de jardinagem oferecida pelo blog A Life Less Ordinary. Subscreva o nosso blog e garantimos uma casa florida ou seu dinheiro de volta. 
Aquelas.
Esses dias me peguei assistindo um programa sobre jardins no Netflix. O que raios estou fazendo da minha vida?!

não tenho mais idade pra Harry Potter

Às vezes eu acho que não tenho mais idade pra Harry Potter mas aí eu vou lá e compro isso:
 Meias com feitiços, 1 euro na Primark de Madri, é muito difícil passar.
Também comprei isso, gente. impossível passar. Mentira, eu debati bastante se devia ou não porque era meio cara. Meio cara nada, custou menos de 100 reais, um preço bem ok considerando que a qualidade dela é razoável e o acabamento é bom. Só que estava fora do limite que acho aceitável para uma compra supérflua, sabe? Eu sou aquela pessoa que só compra uma coisa se a anterior estragar, é muito raro eu ver uma coisa e comprar só por comprar, só porque gostei - tem que ter um motivo. Tento praticar o consumismo consciente mas daí a bonita vê o logo de Hogwarts e esquece qualquer convicção hahaha
Minha irmã pediu a bolsa emprestada e eu falei que só ia emprestar se ela respondesse um quizz de cinco perguntas sobre Harry Potter. Ela não entendeu porque a bonita sequer sacou que tem o logo de Hogwarts ali. Decepção.
Mas aí lembrei que ela e minha mãe realizaram meu sonho do Dr Martens próprio no Natal e esqueci. Melhor botinha, usei todos os dias desde que ganhei, inclusive no verão. Mais porque queria levar na viagem e tinha que dar uma laceada nela. Porque ninguém te avisa que as primeiras vezes que tu usar um Dr Martens ele vai destruir seu pé e tu vai ter vontade de jogar fora e nunca mais usar. Mas depois de toda dor e sofrimento vai ser o sapato mais confortável que tu já teve.

amsterdã

Cada vez mais difícil escrever aqui no blog, eu sento mas não sai nada. Esse post aqui tô escrevendo faz um mês já, aos pouquinhos, e finalmente saiu. Acho que é um bloqueio criativo mesmo, tenho bastante fotos e planos pela frente, não me abandonem por favor :) 
Enfim, Amsterdã.
Fiquei tão pouco tempo em Amsterdã que parece que cheguei e fui embora no mesmo dia. Peguei muita chuva mas nem me importei. O único problema foi que fico meio assim de pegar a câmera com medo que ela estrague - o celular demônio a gente ignora, né, se molhar é só colocar no arroz. Então tem mais fotos meia boca de celular do que fotos legais e bem tiradas.
Essa é minha foto favorita de Amsterdã porque me remete a um momento bem lindo da viagem. Estava meio perdida e me dei conta que tinha andado umas 10 quadras na direção errada. Parei durante um segundo nesse parque e me concentrei no mapa pra pensar o que tinha feito de errado. Antes tirei essa foto. Aí fiquei ali quebrando a cabeça e quando me dei por conta o parque estava lotado de crianças com seus respectivos guarda chuvinhas dando piruetas e brincando felizes. Sabe aqueles momentos que você pensa que a vida vale a pena ser vivida? Sei lá :)
Um dos primeiros livros que li foi O Diário de Anne Frank. Não tinha a menor ideia de quem era Anne Frank. Não sabia sequer que ela tinha existido de verdade e que o diário era real. Sabia que tinham existido guerras e que pessoas tinham morrido, mas não sabia a dimensão daquilo. Eram coisas que tinham acontecido há muito tempo e que não tinham a menor influência na minha infância suburbana de classe média. O que aconteceu foi que o livro para abruptamente, assim como a vida da Anne. Eu não era a criança mais brilhante e não entendi, achei que estavam faltando páginas. Minha mãe teve que me explicar tudo, ela me sentou e me falou longamente sobre o holocausto. Esse foi o meu primeiro contato com um mundo sem finais felizes da Disney - o horror. Definitivamente um livro que marcou muito minha vida, lembro de deitar na minha cama e não conseguir dormir pensando o quanto eu e Anne tínhamos tanta coisas em comum mas ao mesmo tempo vivemos histórias completamente diferentes e na injustiça de tudo isso.
Todo um bla-bla-bla pra contar que, assim que fechei as datas da passagem a primeira coisa que eu fiz foi comprar a entrada para o museu da casa da Anne Frank. Que não foi nem de perto a experiência que eu pensava que ia ser, o que não deixou ela menos incrível. Achei que ia ver, sei lá, o quarto dela, a escrivaninha dela onde ela escrevia o diário, sabe? Acontece, gente, que não tem nada lá. Não sobrou um móvel que seja. E isso por si só é mais chocante do que se eu tivesse, sei lá, encostado no lápis dela. Depois de 20 anos e achando que já vi muita coisa nessa vida, me peguei pensando de novo na injustiça de eu poder estar ali e ela não. Eu fiquei emocionada e dei uma choradinha inesperada. Acho que foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida. 
Canais, canais e canais, canais por tudo, nos primeiros tu pensa "AI QUE EMOÇÃO UM CANAL" mas depois acostuma. Mentira, acostuma nada cada virada de esquina é um gritinho hihihi.

Uma coisa que achei uma viagem lá é que muitas pessoas moram em apartamentos térreos sem cortina nem nada. Aí tu está ali bem bonita turista admirando arquitetura de prédios e de repente dá de cara com alguém deitado na sua própria sala de pijama vendo televisão bem de boa e seus olhares se cruzam e tu fica meio sem saber se sorri e abana ou finge que não viu.
Amsterdã serviu, dentre outras coisas, para me fazer sentir velha. Sempre que qualquer pessoa fala que está indo pra Amsterdã, ninguém fala sobre o museu da Anne Frank. Todo mundo fala que você vai fumar maconha. Passei na frente de um coffee shop e pensei "será?". Sei lá, eu sou uma mulher adulta e não vou estar fazendo nada ilegal, qual o pior que pode acontecer? Mas acontece que essa decisão, meus amigos, não veio tão fácil. Já pensou se eu fico muito doida e me perco? PIOR, JÁ PENSOU SE EU ENTRO NUMA PIRA MUITO LOUCA E MINHA MENTE NÃO VOLTA NUNCA MAIS TIPO AQUELAS LENDAS URBANAS QUE TINHA QUANDO A GENTE ERA ADOLESCENTE? MEU SANTO, JÁ PENSOU SE EU MORRO? - exata evolução do meu pensamento.
Eu calculando se devia fumar maconha em Amsterdã.
No final das contas cheguei a conclusão de que se eu estava pensando tanto sobre o assunto era melhor não fazer. Em outras palavras, arreguei. O que me fez me sentir uma pessoa muito adulta e pé no chão. Ou muito velha e careta, você decide. Eu decidi pelo último.
Amsterdã foi a cidade que eu conheci que eu mais quero voltar, sabe? Quem sabe um dia :)